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19 junho, 2008

Novamente instrutora

Passo a vida nisto: participação disciplinar para a esquerda, participação disciplinar para a direita, para cima, para baixo... para todos os lados!
Desta vez, a participação disciplinar (feita pelo "funcionário segurança/detective"!) relatava que, durante uma aula, uma aluna encontrou uma pastilha elástica colada no seu cabelo! Parece mentira mas a história ainda é pior do que parece!
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Numa aula, uma das alunas da minha bela turma fez queixa à professora de que tinha uma pastilha elástica colada no cabelo. A professora tentou resolver a situação, enervada, procurando os culpados; mas os "cobardolas" não se acusaram. A professora desesperada e enervada, mandou a vítima ao C. Executivo para que lhe vissem o cabelo e resolvessem a situação. Na ausência de responsáveis no C. Executivo, o funcionário anteriormente referido tomou conta da ocorrência, indo à sala apurar os factos e identificar os culpados.
A C., o A. e o L. foram acusados.
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Instaurado o procedimento disciplinar, do qual fui instrutora, apurou-se o seguinte:
Estas crianças (más; más pessoas mesmo) resolveram atirar unhas (sim, unhas!) para o cabelo da colega que estava sentada à sua frente e que normalmente desprezam, alegando o seu mau feitio. Insatisfeitos com a maldade, resolveram brincar com pastilhas elásticas durante a aula, atirando-as uns para os outros e, por fim, para o cabelo da colega. Só a pastilha do A. acertou no cabelo da colega, felizmente.
A aluna teve de ir com a pastilha elástica colada no cabelo nos transportes públicos, até casa.
Os alunos A. e C. riram ao contar a história e não se mostraram arrependidos. Os seus Encarregados de Educação acharam que foi mal feito, mas nada de especial (mães separadas; por maus tratos e por prisão do companheiro, respectivamente). O L. apenas brincou com as pastilhas; não atirou à colega. O seu Encarregado de Educação (o seu irmão, porque os pais têm um café e têm mais do que fazer do que tomar conta do filho) nem compareceu à audiência.
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Resultados:
3 dias de suspensão para a C. (alvo do 2º procedimento disciplinar);
3 dias de suspensão para o A. (alvo do 2º procedimento disciplinar)
repreensão escrita para o L. (acumula algumas participações disciplinares)
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Parece que amanhã é o último dia!...

15 junho, 2008

Mais três procedimentos disciplinares

A odisseia dos procedimentos disciplinares continua. Infelizmente.
Cada vez que chego à minha gaveta de Direcção de Turma (local onde me deixam todos os "presentes" relacionados com a D.T.) encontro participações disciplinares. Umas feitas por professores, outras feitas por funcionários. Sim, porque os "meus meninos" não fazem distinção: se é para portar mal, é para portar mal em todos os locais da escola.
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Participação I: o aluno C. portou-se mal durante a prova de avaliação, conversando e virando-se para trás, não acatando os avisos da professora. A professora, já saturada, repreendeu-o obrigando-o a voltar para a frente por contacto físico. O aluno não gostou e empurrou a professora. O aluno alegou que a professora lhe deu um "estaladão".
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Participação II: O aluno T. passou a aula a conversar, a rir e a fazer barulhos repetitivos, perturbando a aula e desafiando a professora. A professora, já saturada, repreendeu-o abeirando-se dele e fazendo uma tentativa de lhe "puxar as orelhas". Não teve portunidade porque o aluno antecipou-se: levantou-se, empurrou a professora e vociferou "vá para o ca**lho" saindo porta fora.
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Participação III: A aluna C., irritada com a decisão da professora acerca da classificação de um trabalho, "murmurou em voz alta" para um colega, à frente da professora: "esta stôra é mesmo monga". Teve pouca sorte porque a professora ouve muito bem.
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Abrir a gaveta da Direcção de Turma e dar de caras com isto tudo não é nada agradável, como devem imaginar. Encaminhei-me para o Conselho Executivo e entreguei as ditas ao presidente para instauração de procedimentos disciplinares. Desta vez tiveram pena de mim e não me nomearam instrutora.
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Resultados: 3 dias de suspensão para o C.; 5 dias de suspensão para o aluno T. e para a aluna C. Os processos foram agravados pelas inúmeras participações acumuladas pelos acusados.
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O pessoal tira uma licenciatura para isto... para aturar má educação dos filhos dos outros; para fazer de inspector da P.J. e para não ter tempo sequer de preparar devidamente as aulas e ensinar, que é para isso, e por isso, que um professor escolhe a profissão!
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03 maio, 2008

O Conselho Disciplinar

Depois de terminar o procedimento disciplinar do qual fui instrutora e que resultou na aplicação de medidas correctivas, as participações disicplinares continuaram a chover: vão desde participações de funcionários a relatar brincadeiras parvas de alguns alunos que mandam colegas ao chão e saltam em cima deles, passando por relatos de comportamentos descontrolados de ordem sexual (é verdade, a Primavera chegou em grande, só espero que daqui a 9 meses não chegue outra notícia) até 7 participações disciplinares da professora de Matemática numa só aula!
Bom, depois disto, eu disse para mim mesma: ou fico maluca, ou deixo de dar aulas e trato de ser inspectora a tempo inteiro ou vou ao "chefe" e digo-lhe que actue.
Optei pela última hipótese. Um dos despachos que o "chefe" deu foi: "a D.T. deve convocar Conselho Disciplinar que será presidido pelo presidente do C. Executivo".
Convoquei, então, o Conselho Disciplinar.
Como correu? pessimamente mal! O que foi decidido? Nada!
Volvida uma hora e meia de reunião, cada um dos professores tinha exposto os problemas que tem com cada aluno indisciplinado (são 6 alunos) e emitido opinião quanto às medidas a aplicar-lhes (devo dizer que se um professor dizia "mata" o outro dizia "esfola" porque estão todos "passados" com a indiciplina da turma). Ficou também decidido que dois deles têm de ser acompanhados pela psicóloga da escola (sobrou para mim esta tarefa) pois podem estar em risco. Talvez seja mesmo necessário accionar a CPCJ (Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em risco).
Depois de tudo isto, o presidente da reunião continuou dizendo qualquer coisa como "ok e tal... sabem... nós não podemos... porque a lei..." (desculpem o termo, "lixando-se" para o que tinhamos estado a fazer durante a reunião toda) Nisto, uma colega (daquelas que não têm pápas na língua) "dá um murro na mesa", perguntando se tinha estado a gozar com o pessoal naquela hora e meia. Foi o rastilho para uma bela discussão. A reunião terminou de forma abrupta, por ordem do presidente, mandando todos embora. "Eu trato disto", disse.
O problema é que não tratou e as participações disciplinares continuam a chover! Mais ainda, os alunos perguntam descaradamente: "então, professora, o que foi decidido no Conselho Disciplinar?", "Eles falam, falam e não fazem nada!"
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Pois é, não fazemos nada porque a minha escola não tem um "presidente de tomates", nem "pulso" para eliminar a indisciplina. Na minha escola não se pode nada!
Ao contrário da escola onde estive no ano passado, num bairro problemático do Porto, onde o presidente tinha um "pulso firme" para castigar aqueles alunos selvagens (deculpem a forte expressão... só quem dá aulas em escolas destas é que sabe avaliar). Se assim não fosse, ninguém conseguia entrar na escola com medo.
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Alerta: presidentes de pulso, precisam-se!

19 abril, 2008

De professora a instrutora

Pois é... a minha vida profissional não está fácil!
Fui nomeada instrutora de um procedimento disciplinar na semana passada e, graças a isso, quase não tenho tempo para preparar as minhas aulas, muito menos para actualizar o blog.
O procedimento disciplinar foi instaurado a um aluno da Direcção de Turma que eu "herdei" há pouco tempo. Como se não bastassem os problemas disciplinares, de assiduidade e de pontualidade que tenho de resolver diariamente como Directora de Turma, agora também sou instrutora!
Para quem não sabe, o instrutor tem de fazer as audiências dos interessados na matéria (eu já fiz 7!), elaborando uma acta de cada audiência, e fazer o relatório final. Os alunos menores só podem ser ouvidos na presença do seu Encarregado de Educação e, como tal, tive de fazer as convocatórias necessárias e ainda ter de ouvir coisas como: "Ah, hoje não me dá jeito, só amanhã", vindo de pessoas que não trabalham. Cheguei a sair da escola às 21h!
Terminei agora o relatório final, ufa! Estou mesmo FARTA disto! Tenho passado horas a fio na escola!
Mas não é só! Depois de se ter iniciado o procedimento disciplinar o aluno já foi alvo de mais participações e outros alunos da turma também!
SOCORRO!

08 abril, 2008

O pedido de desculpas

A D.T. do P. encontrou-me hoje na sala de professores e veio contar-me que ontem teve a reunião com os E.E. para entrega das fichas individuais de avaliação do 2º período. Aproveitou a presença dos pais do P. (estiveram presentes os dois) e mostrou-lhes a participação disciplinar que eu fiz do P. na sequência do que contei aqui no post anterior. "A mãe nem queria acreditar" disse-me a minha colega, "até lhe vieram as lágrimas aos olhos! Fizeste muito bem em descrever as situação pormenorizadamente. O pai disse que ele de vez em quando se passa. A mãe vem cá hoje pedir-te desculpa à hora da aula".
Assim foi. A mãe do P., uma senhora muito humilde e educada, veio falar comigo pessoalmente e pedir-me desculpa pela atitude do filho, contando-me como lhe dá a educação e qual a repreensão que lhe deu ontem quando chegou a casa, depois da reunião com a Directora de Turma. Disse-me ainda que "o P. tem ordens para lhe pedir desculpa, a si e à turma, no início da aula, pela atitude que teve". As lágrimas assolaram os olhos da senhora novamente. Fiquei sem palavras. Acalmei a Sra., pedi-lhe para parar com as desculpas (repetiu-as imensas vezes) e disse-lhe que acredito que tenha sido um caso esporádico; um dia mau do P.
Realmente nunca sabemos que pais estão por detrás de um aluno indisciplinado. É raro haver pais destes.
Fui para a aula. O P. pediu-me desculpas à frente da turma e pediu desculpas também à turma pela sua atitude. Olhou para mim enquanto falava e olhou para a turma quando se dirigiu a aos colegas. Gostei da atitude. Espero não me enganar...

03 abril, 2008

Um regresso em "grande"

Cá estamos, de regresso a mais um período lectivo. O último.
Logo na 2ªf tive uma boa notícia: deixei o cargo temporário de Directora de Turma (daquela turma de pestinhas que referi no post anterior). Apesar de ter mais uma mudança de horário, desta vez foi para melhor (para variar um pouco). Continuo a ser o "tapa-buracos" da escola.
Na 3ªf aconteceu-me algo que já não me acontecia desde o ano passado naquela "bela" escola do Porto. Algo grave. Parecido, só o caso "Carolina Micaelis".
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Dei aula de E.A. (1 bloco de 90 minutos) a uma das turmas que me atribuíram a meio do ano e à qual lecciono apenas esta área curricular - uma turma de 7º ano. É uma turma grande e barulhenta. Tem alguns alunos hiperactivos e mal educados. A aula decorreu como habitualmente: enviei um aluno para a sala de estudo e zanguei-me e dei "sermões" algumas vezes ao longo da aula.
De seguida fui para um dos meus tempos de substituição. Estava eu e outra colega "de serviço". A funcionária abordou-nos e disse que precisava de 2 professoras uma para a turma 9ºY e outra para a turma 7ºX. Eu desabafei em voz alta "bolas, ainda agora acabei uma aula com o 7ºX". E a minha colega, simpática, responde-me: "então vou eu para essa turma, vai tu para o 9ºY". Eu, sendo professora da turma e conhecendo o seu comportamento, não me senti bem e voltei: "não, deixa estar, vou eu que já os conheço". E fui.
Os alunos continuam a ver as aulas de substituição como aulas de "empata". Os professores continuam a faltar sem deixar plano de aula. Fui recebida pela turma com um insistente: "vamos jogar futebol, vamos jogar futebol!". É claro que tive de lhes explicar mais uma vez que não podiam ir jogar futebol mas poderíamos fazer um jogo do conhecimento na sala de aula. Tiveram de acatar, embora contrafeitos. Sempre aos berros e em desordem, conseguiram perceber e iniciar o jogo.
Estes alunos não sabem estar. Falam todos ao mesmo tempo; aliás, berram. E ainda "refilam" quando são chamados à atenção. O P. insistia em gargalhadas estridentes e patéticas, em estar virado para trás, em dar palpites estúpidos e a rir-se quando eu o repreendia, não mudando de atitude. A determinada altura, vi o P. novamente virado para trás, deitado sobre as costas da cadeira e, já um pouco "passada", aproximei-me dele (que nem deu pela minha aproximação) e disse-lhe em tom baixo, calmo, mas "elucidativo": "se voltar a ter de te avisar será para te mandar para a sala de estudo". O P. levantou-se de repente, vociferando palavras grosseiras e mal educadas, pegou nas suas coisas e disse que "ia embora e já", precipitando-se na direcção da porta, deixando-me a "falar sozinha". Voltei-me e tentei impedi-lo de se dirigir para a porta. Senti o meu braço ser sacudido e ao mesmo tempo também o retirei. Dirigi-me então para a porta, atrás dele, dizendo-lhe bastante exaltada: "experimenta sair por essa porta sem a minha autorização que tu vais ver o processo disciplinar a que vais ficar sujeito!". Só esta ameaça o deteve. "Vá imediatamente para o seu lugar", disse-lhe. Chamei, então, a funcionária para o acompanhar à sala de estudo mas entretanto ouviu-se o toque de saída. Marquei falta disciplinar ao aluno e fiz participação à D.T. Referi na participação que exijo um pedido de desculpas do aluno em frente à turma. (ainda pensei no pedido de desculpas feito por escrito e assinado pelo pai, mas achei que talvez não tivesse muita sorte :) não concordam?
A tensão e estado de nervos com que fiquei fizeram-me tremer. Este alunos pensam mesmo que "isto é tudo deles".
Pensava que tinha deixado estas "cenas" na escola onde leccionei no ano passado. Estava enganada.
Estou a começar a concluir que isto está a virar epidemia.
Foi mais um regresso...

19 abril, 2007

Hoje estou assim...













... A VER ESTRELAS!!!
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O dia foi cansativo, para não variar...
Ainda não percebi se é o estado do tempo que os influencia (hoje o dia aqui esteve esquisito, meio nublado) ou se é o pólen que anda no ar ou se são ambos os factores ou se simplesmente é como a lotaria: há dias de sorte! Nem todos os têm e quando têm é apenas uma vez na vida!
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Hoje fiz actividades experimentais em todas as turmas: eles puderam mexer, remexer, e... nem vos conto! Ficaram tão excitados que eu terminei o dia de rastos! Acho que nunca ninguém deve ter tido coragem de deixar à sua mercê os materiais... Eu confesso que também tinha receio e por isso faço quase sempre demonstrações experimentais. Hoje deu-me para isto: dar-lhes uma oportunidade!
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Além dos meus problemas, apercebo-me dos problemas dos outros:
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Suspensão de um aluno do 2º Ciclo por ter dito a uma funcionária: "Chupa-me o p...". Pois, é verdade, a pobre senhora não ficou nada bem! Nem sei como se escreve a palavra (lol), acho que nunca a vi escrita... será semelhante a peça?! Ou terá a ver com o Fernando Pessa?! Prefiro continuar na ignorância!
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Hoje fui tratar de assuntos ao C.E. e encontrei uma colega em fila de espera. Entretanto, como ela foi atendida antes de mim, verifiquei que estava em aula mas teve de sair... dizia ela: "Por favor venha ali ao 6º... que eles não me deixam dar aula! Estão a atirar-me papéis e dizer coisas feias..." Fiquei em estado de choque!
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E eu queixo-me?! A minha vida não é fácil mas a verdade é que, graças a Deus, isto ainda não me aconteceu! Sim, disse "ainda"! O ano lectivo ainda não acabou!
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01 março, 2007

Estes miúdos são terríveis!!!

Decorria a aula de turnos (C.N./C.F.Q.). Batem à porta da minha sala.
"Sim?! Entre."
A porta abre-se, espreita o aluno C. (complicadíssimo - 2 vezes suspenso) e diz: "Oh P. vem ali à professora de C.N. que ela está a chamar-te."
Eu, que estou sempre com as "armas a postos", estranhei e disse:
"O P. não vai a lado nenhum. Se a prof. quer falar com ele, ela que venha cá ou que peça à Sra. funcionária que o venha buscar."
"Ah hmm dá aí um lenço de papel, acho que ela queria pedir-te um lenço de papel." Pegou no lenço e fechou a porta.
Estranho, não acham?! Eu também achei! No final da aula, falei com a colega: é óbvio que ela não sabia de nada.
Ainda estamos a tentar descobrir se o C. saiu da aula sem que ela visse ou se foi fazer aquela gracinha antes de ir (ATRASADO, para não variar) para a aula.

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Já conhecem o Joãozinho?! :)

"A professora ao telefone:

- Está bem , eu tomo nota ... O Joãozinho não pode vir às aulas hoje porque está com gripe ... Já agora, quem é que está ao telefone ?

- É o meu paizinho, Sra Professora !"

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SER PROFESSOR É ESTAR SEMPRE ALERTA E PREPARADO PARA TUDO!

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04 fevereiro, 2007

Uma semana complicada...

Não sei como aguentei esta semana...
Uma espécie de gripe que não me larga há duas semanas agravou-se nesta última. Andei a arrastar-me pelas aulas. A preparação dos testes e esclarecimento de dúvidas na primeira metade da semana e a realização dos mesmos na segunda metade da semana foram motivos para que não faltasse às aulas. Eu, que tenho fobia a médicos, fui obrigada a recorrer à urgência na 6ªf à noite. Estou medicada mas isto não está nada bem!
A par disto os meus alunos andaram com um pouco mais de "gás" esta semana (se é que isso é possível). Vi-me obrigada a fazer um relatório disciplinar - que ainda está em fase de conclusão - de uma aula, para não estar a fazer um monte de participações disciplinares.
A acompanhar este desgaste uma reunião geral de professores, para "animar o pessoal", e ainda uma reunião de Conselho Disciplinar (extra aquelas 21 reuniões que eu tinha agendadas). O aluno suspenso voltou e... bem, não vos digo se está pior ou melhor. Talvez para a semana tenha uma opinião formada! (LOL)
A outra aluna - o "camião de má educação" - anda a ser levada na base da chantagem pelo C.T. porque aprontou uma tal que se ela não se porta bem a "bófia" é chamada ao barulho! E, imaginem, desta vez ela teve medo! (lol)
E, para terminar, uma pilha de testes para corrigir (uns cento e tal, SÓ) que eu vou tentando despachar no meio da sinfonia da minha tosse e de algumas dores de corpo.
Melhores dias virão, espero!

08 janeiro, 2007

Ano novo, problemas velhos

Pensei que as férias de Natal os fariam reflectir...
Pensei que as notas do 1º período (más) os fariam perceber que o comportamento pesa bastante na sua avaliação...
Pensei que o Pai Natal era bonzinho e que gostava dos professores destas turmas insurrectas da minha escola...
Pensei...
(aposto que vos está a vir à mente aquela velha frase: "A pensar...")
Ex. 1: "U ké que foié?! óóóóó nuncá biu?? Sóu muito liinda num sóu?! E tu, (virando-se para um colega) támbêim nunca bisté?" (com sotaque do Norte e aos berros) e, nisto, pega em canetas e atira com toda a sua força ao colega.
Ex. 2: "Stôra não quero estar aqui, stôra quero ir prá li, stôra não quero estar aqui, stôra quero ir prá li, ..." (Aos berros durante quase um minuto, só se calou quando o mandei retirar da aula)
Em apenas 3 dias o número de faltas disciplinares dá dores de cabeça aos D.T. ao ponto de ter de se chamar o E.E. de um dos alunos, que até o presidente do C.E. já começa a ter problemas para controlar. Sinceramente não sei onde isto vai parar!... O período mal começou!...
O sentimento que tenho neste momento traduz-se numa frase: "Não quero ser professora deles! Tirem-me daqui, por favor!!! Isto não é ensinar, isto é tentar controlar multidões descontroladas!"
Acabei de ver uma "amostra" reportagem na SIC sobre violência nas aulas; As aulas foram filmadas com câmara oculta e, digo-vos sem exagero, as minhas são um pouco piores. Penso que o desenvolvimento da reportagem vai passar à 1h da manhã - como apanhei a reportagem a meio, espero ter percebido bem! Tentem ver!
S.O.S.

02 dezembro, 2006

Reflectindo sobre a indisciplina

Apesar de este fim de semana ser maior, de proporcionar o descanso, de permitir uns passeios e também fazer as comprinhas de Natal, não me consegui alhear dos problemas de indisciplina dos meus alunos. É verdade! A indisciplina é algo que me preocupa bastante pois, para além de ter proporções como eu nunca vi em escola nenhuma, não permite que eu faça aquilo que eu realmente gosto: ensinar!
Já tive momentos em que quase me descontrolei!... Faltou o quase.
Sei que os meus colegas vivem o mesmo que eu. Uns estão mais "vacinados" (os que estão na escola há alguns anos) do que outros (os novos na escola, como eu). Mas sei que, infelizmente para a educação, todos vivem diariamente momentos que podem ser exageradamente ilustrados pelo cartoon:

Imagem tirada daqui.

Neste momento estou a tentar ler o mais possível sobre o assunto. Espero, de alguma forma, encontrar ajuda, se é que isso é possível.

Leiam, por exemplo, aqui sobre indisciplina.

27 novembro, 2006

"O prato do dia"

E o "prato do dia" é... conselho disciplinar!
No final da semana passada tive um - o das meninas "complicadas" do 9ºano, pelo mau comportamento que tiveram (antes de eu chegar à escola) - e o resultado foi: 3 dias de suspensão para a aluna A, 3 dias de suspensão para a aluna B, 2 dias de suspensão para a aluna C e uma repreensão escrita para a aluna D. Sinceramente, acho que não vai resultar! Até porque, depois disto, já foram colocadas muitas participações disciplinares na "gavetinha" do DT, algumas das quais feitas por mim.
No final desta semana está marcado outro conselho disciplinar mas desta vez para uma turma do 7ºano - a mais complicada (já repararam que eu tenho todas as turmas complicadas?!). Este conselho disciplinar vai resultar na suspensão de 2 alunos; e sabem como é que eu sei?! Eu conto! A situação era tão grave que o C.E. teve de agir e mandar os meninos para casa na semana passada (isto foi antes de eu chegar à escola) porque só agora o conselho de turma vai conseguir reunir (a ordem cronológica das coisas teve de ser invertida). Hoje, finalmente, conheci-os (estava ansiosíssima, como devem imaginar lol) Acham que eles voltaram mais bem comportados?! Nem vos conto!!! É do pior!
Hoje, o DT da turma complicada do 9ºano disse-me que vai marcar outro conselho disciplinar, desta vez para outro aluno. Bolas, não fazemos outra coisa na vida!
Já fiz mais participações disciplinares numa semana do que em 6 de anos de serviço!
Isto é triste!

22 novembro, 2006

"A escola da vida"

Foi este o nome que lhe atribuiu um dos meus novos colegas de trabalho quando falávamos sobre a população "pesada" da bela escolinha onde vim parar. A ESCOLA DA VIDA.
Fui muito bem recebida. A presidente deu-me logo o meu horário e um guia, com tudo o que preciso de saber acerca do funcionamento da escola, com legislação necessária, projectos, etc. A substituição será até Maio, com sorte, até ao final do ano lectivo (estou a substituir uma colega grávida, que está a um mês do parto).
Os colegas, até à data, são muito simpáticos e estão sempre prontos a ajudar, a orientar, abordam-me a perguntar se sou nova e, depois da minha resposta, dão-me as boas vindas. Até os funcionários vêm ter comigo para "ajudar no que for preciso"!
Agora, a história da "escola da minha vida":
Não sei como sobrevivi à primeira aula, de 90min, de uma "bela turma" do 9ºano que me saiu na rifa. Eu já passei por muitas escolas, já apanhei vários tipos de alunos, desde a mais alta classe social à mais baixa, mas nunca vi nada assim!!! Má educação (do pior), insolência, má formação, falta de modos, falta de princípios, brejeiras, em suma, um gang de garotas de bairro! Tratam-se por "vacas", falam extremamente alto, desafiam tudo e todos e, coitado daquele que lhes fizer frente!
Assim que cheguei à escola disseram-me que iria ter um conselho de turma disciplinar, no final da semana, por causa das alunas "complicadas" da turma "X" do 9ºano - uma delas levantou a mão à prof. de L.P. e chamou-lhe bruxa. Todos me alertaram para o que iria apanhar e tentaram, cada um à sua maneira, dar-me algumas orientações. Nada do que disseram conseguiu dar-me uma ideia do que "apanhei pela frente"... ainda estou em estado de choque! Mas como comigo não brincam... dps conto-vos cenas dos próximos episódios (se eu sobreviver!) lol
E... pensam que fico por aqui na minha história?! Claro que não... Tenho, em média, 2 alunos surdos por turma (em 5 turmas) o que faz com que eu dê apoio individualizado para além da aula, a cada um deles. Acho que vai ser uma experiência única, especialmente porque eu não percebo nada de L.G.P.
Digam-me, como vou explicar ciências a surdos totais que não percebem nada do que eu digo?! Eu até tenho jeito para desenho, é o que me vale!
Disseram-me que iria ter uma intérprete nas aulas mas ainda não a vi!
Além disso, um dos alunos surdos é autista e, só por acaso, fica muito nervoso qdo não percebe alguma coisa que está escrita no quadro!
Até breve...

01 novembro, 2006

E se, de repente, um desconhecido te aborda...

... no meio do centro comercial e te pergunta:
-"É professora?"
- "Sim, sou." - respondi.
- "Deu aulas na EB 2,3 de ...?" - voltou o desconhecido.
- "Dei... há 3 anos."
- "Ahh então foi minha professora!... Não se lembra de mim?!"
Sinceramente, não me lembrava da cara do rapazinho... Bem vestido (ligeiramente betinho), praticamente da minha altura, um sorriso engraçado, simpático e, aparentemente, muito satisfeito por me ter encontrado - uma ex professora dele!
É certo que eu sou uma desgraça para me lembrar de rostos e de nomes. É certo, também, que, para aquele rapazinho ter sido meu aluno na dita escola, só pode ter sido aluno do 7º ano e que, portanto, nesta altura já sofreu as alterações características da puberdade, o que torna mais difícil reconhecê-lo! Mesmo assim, naquela fracção de segundos, ou um ou dois minutos, fez-me imensa confusão não me lembrar de nada acerca dele!... Tive a feliz ideia de lhe perguntar o nome e, ao ouvi-lo, gelei! (lol)
Só consegui responder: "Pois, certamente fui tua professora, o nome não me é estranho..." - fiquei com cara de parva, sem saber o que dizer. Ele disse: "Ah era só para confirmar" - sorriu e despediu-se. Eu sorri também e despedi-me "até à próxima".
Nem imaginam!... Aquele rapazinho foi meu aluno apenas no último período daquele ano lectivo pois veio transferido de outra escola, da qual foi expulso! Era o verdadeiro terror, a verdadeira dor de cabeça de qualquer professor! (E agora pareceu-me um santinho!...)
Um dos episódios protagonizados por ele, e o qual nunca vou esquecer, foi quando ele a meio de algumas das minhas aulas (e de outros professores também) se mutilava com o bico do porta-minas, furando o interior das narinas, deixando o sangue escorrer pela cara, passando pela boca (e deixando-a encher), pelo queixo e pelo pescoço. Como isto era tão rápido eu só me apercebia quando ele já estava como uma vítima da 2ª Grande Guerra Mundial. Então, ele olhava para mim, com ar expectante, para ver se tinha conseguido chocar a professora, abria a boca mostrando também os dentes cheios de sangue e perguntava calmamente se podia ir à casa de banho limpar-se porque estava a sangrar (como se fosse algo completamente normal). A primeira vez que isto me aconteceu fiquei completamente transtornada e tive de me controlar para aparentar a calma e acalmar os colegas de turma que tinham pavor dele! A partir dali tive de me habituar...
E isto foi apenas um dos imensos episódios!...
O Concelho de Turma nunca mais teve descanso, como devem imaginar! Aquele rapazinho foi um poço de problemas!
Agora, aparentemente, parecia outro rapaz! :)
Espero que ele tenha encontrado o caminho certo!