Num dos dias do final do 1º período uma colega, directora de uma turma do 5ºano, veio pedir-me para dar apoio a uma aluna da sua direcção de turma. Explicou-me que não é um apoio qualquer, a aluna tem fobia escolar. Respondi prontamente que estava disponível e logo me foi colocado no horário um bloco de 90min para o tal apoio.
Na altura lembrei-me que já tive um aluno com fobia escolar (foi meu aluno no 7ºano) e que não era muito diferente dos outros: era conversador e perturbador nas aulas. Lembro-me que nesse ano pensei que: "ou eu não sei o que é a fobia escolar ou o aluno não tem fobia escolar". Pois; na altura provavelmente já se tinha ido embora a fobia dele. Ainda bem!
Na altura lembrei-me que já tive um aluno com fobia escolar (foi meu aluno no 7ºano) e que não era muito diferente dos outros: era conversador e perturbador nas aulas. Lembro-me que nesse ano pensei que: "ou eu não sei o que é a fobia escolar ou o aluno não tem fobia escolar". Pois; na altura provavelmente já se tinha ido embora a fobia dele. Ainda bem!
A minha colega explicou-me que a Ana não vem às aulas há três anos, ou seja, é aluna do 5º ano pelo terceiro ano consecutivo. Quando veio para o 5ºano pela 1ª vez, na companhia da mãe, chorava desalmadamente, desmaiava, vomitava, enfim...
Hoje, depois de muitos esforços, já conseguem que a Ana entre na escola pelo seu próprio pé e sem a companhia da mãe. Não vem às aulas. Vem aos apoios: tem aulas com professores de áreas diferentes que lhe explicam a matéria e a ajudam a estudar. A Ana não tem dificuldades de aprendizagem, pelo contrário! Aulas com a turma nem pensar! Mas já conseguiu assistir a uma aula de Educação Física.
Disseram à Ana que ela tinha uma professora de ciências disponível para ela (EU). Não apareceu uma vez, duas, três. Conseguimos ser apresentadas. Engraçado, fiquei com a ideia que a Ana é super "normal" (desculpem a palavra mas não me ocorre outra, penso que me percebem). Ficou um pouco envergonhada quando me viu mas tinha um sorriso nos lábios. Eu não quis assustá-la, sorri, disse-lhe que ia gostar de ciências e combinei encontro para a hora marcada no horário.
A Ana ainda não apareceu; quando a Directora de Turma lhe liga a perguntar o que se passou tem sempre uma desculpa bastante razoável (tão razoável que eu já tinha desconfiado que era desculpa e a minha colega afirmava que não era).
Hoje voltou a não aparecer e eu própria liguei-lhe para casa às 9h. Ninguém atendeu. Certamente sabia quem era e não atendeu, opinaram as funcionárias. "Oh sô possora, não é de estranhar, o encontro com uma pessoa nova para ela é terrível, ela não consegue ultrapassar".
Queria tanto ajudar a miúda!...
Vamos tentar outra estratégia: encontro com uma professora com quem ela está habituada e eu apareço como por acaso.
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A fobia escolar é uma doença que se distingue dos vulgares medos. É mais intensa e prolongada no tempo e interfere com o quotidiano da criança e de toda a família. As crianças apresentam sintomas somáticos, como vómitos, diarreia, palpitações, dores diversas, perturbações do sono e da alimentação. Podem urinar na cama e chorar desalmadamente quando se aproxima a hora de ir para a escola, o fim das férias ou o final do fim-de-semana.