"...um dos meios de combate à violência nas escolas é a instalação de videovigilância..." dizia o locutor da R. Comercial num dos últimos dias da semana passada, enquanto eu me dirigia para mais um dia de aulas (?!? ou será de treino à defesa pessoal?!) Eu nem queria acreditar!... Fiquei feliz por perceber que, pelo menos, a Sra D. Milú tem conhecimento de que há violência nas escolas!
Como apanhei a notícia quase no final, tratei de saber mais:
"Em nome da segurança, o Ministério da Educação quer generalizar a instalação de sistemas de alarme e circuitos de videovigilância nas escolas do ensino básico e secundário. A medida foi debatida esta semana com o grupo coordenador do Programa Escola Segura. A ideia passa por alargar a utilização destes sistemas que já existem em alguns estabelecimentos às escolas que solicitarem a instalação. Para os alunos, câmaras não é sinónimo de segurança. Contactado pela SIC, Paulo Sucena da FENPROF entende que a medida nem é boa nem má. Prefere esperar para ver como vai ser aplicada, tendo em conta que não pode ser um mero sistema policial, muito menos violar os direitos de quem trabalha na escola, corpo docente ou não."
Por um lado, devo dizer que fiquei feliz por saber que, pelo menos, já se estão a tentar encontrar modos de resolução de um problema que, acreditem, não é pequeno nem fácil de resolver! Por outro lado, conheço a realidade e, portanto, não sei se isto irá resultar. Sei que o programa Escola Segura está em acção e funciona até ao limite das portas das salas de aulas. Na minha escola os carros policiais chegam a entrar para dentro dos portões da escola e os Sr.s polícias passeiam-se à entrada, no átrio, e até vão ao bar. Mas isto não resolve os problemas dentro das salas de aulas, nem nos corredores, onde frequentemente se vêem as auxiliares de acção educativa a gerir conflitos, a tentar travar cenas de porrada. Só na 6ªf foram partidos 2 vidros (um da porta de entrada do átrio e outro da porta de um corredor).
Será que a videovigilância resolve estes problemas?! Eu gostava de acreditar que sim!!! Embora estas notícias não me tenham esclarecido quanto às sanções que irão ser aplicadas aos alunos que sejam protagonistas de cenas incorrectas nas aulas, detectadas pela videovigilância. Quem trabalha com estes miúdos percebe que eles não têm medo de nada:
nem de suspensões - adoram ir pra casa porque fazem o que querem e não têm de ir à escola (quem toma conta deles (muitos não têm pais ou foram abandonados ou os pais são piores do que eles) não os consegue educar);
nem de autoridades - ninguém lhes pode bater nem maltratar - se for preciso ainda levantam a voz e o nariz para elas;
nem de ser presos - porque sabem que isso não é possível porque são menores.
Enfim, eles acabam por ditar as regras. No meu ponto de vista, para alguns, só mesmo interná-los em casas de correcção.
No início desta semana, na aula de uma das minhas melhores turmas, os alunos estavam agitadíssimos: "Xiuu, calem-se, estamos a ser filmados!" "Não estamos nada, aquilo não é câmara!" "É, sim!"
Tinham detectado um objecto semelhante a uma câmara de filmar minúscula num canto superior da sala de aula e perguntaram: "Oh stôra, estamos a ser filmados?" Era tal a agitação e o medo que me deu vontade de rir (porque não era câmara nenhuma). Mas penso que isto só aconteceu porque é uma das boas, e poucas, turmas. Nas turmas indisciplinadas, até pode surtir algum efeito nos primeiros tempos mas depois acho que até se vão dar ao luxo de fazer cenas para as câmaras! (Desculpem-me de estar a pensar tão mal dos alunos mas acho, sinceramente, que este tipo de miúdos não tem vergonha nem medo, de nada nem de ninguém!) Espero estar redondamente enganada para o meu bem e de todos os colegas que dão aulas em escolas destas.